Eduardo Caires: IQA
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Bactérias heterotróficas

Bactérias são micro-organismos procariontes encontrados em todas as regiões do mundo. Atualmente são conhecidas e descritas milhares de espécies e, dentre elas temos dois grupos distintos:

- Bactérias heterotróficas - não produzem o próprio alimento.

- Bactérias autotróficas - produzem o próprio alimento.

As bactérias heterotróficas se alimentam de matéria orgânica oriundas de outros organismos e dependendo do estado disponível dessa matéria orgânica, as bactérias podem ser classificadas em decompositoras ou parasitas.

A contagem de bactérias heterotróficas é amplamente utilizada como indicador da qualidade da água potável, sendo que os microrganismos são detectados por propagação em meios não seletivos, como por exemplo, o meio PCA (Plate Count Agar)

O Anexo XX da Portaria De Consolidação Nº 5 do Ministério da Saúde de 03 de Outubro de 2017 em seu Artigo 28 Resolve sobre o tema:

“Art. 28. A determinação de bactérias heterotróficas deve ser realizada como um dos parâmetros para avaliar a integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede). (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28)§ 1º A contagem de bactérias heterotróficas deve ser realizada em 20% (vinte por cento) das amostras mensais para análise de coliformes totais nos sistemas de distribuição (reservatório e rede). (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28, § 1º)§ 2º Na seleção dos locais para coleta de amostras devem ser priorizadas pontas de rede e locais que alberguem grupos populacionais de risco. (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28, § 2º)§ 3º Alterações bruscas ou acima do usual na contagem de bactérias heterotróficas devem ser investigadas para identificação de irregularidade e providências devem ser adotadas para o restabelecimento da integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede), recomendando-se que não se ultrapasse o limite de 500 UFC/mL. (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28, § 3º)”

Por se tratar de um indicativo para microrganismos não seletivos, quando se observar resultados muito elevados deste indicador, é necessário realizar uma investigação mais detalhada afim de verificar qual ou quais grupos de bactérias são mais predominantes do sistema, como por exemplo, coliformes de origem fecais ou não.

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Controles de Qualidade na Amostragem - Matriz Água

No monitoramento ambiental, as empresas precisam realizar a gestão do impacto causado pelo seu processo produtivo em diferentes compartimentos, detre eles na qualidade da água (subterrânea, superficial, etc.).

Estatisticamente temos dentre as definições disponíveis que, amostragem é:
Um ato, processo ou técnica de escolha e seleção de membros de uma população ou de um universo estatístico que possam constituir uma amostra.

Ou seja, quando analisamos a presença de contaminantes em um rio, por exemplo, não analisamos todo o corpo hídrico e sim uma pequena porção representativa, que denominamos por amostra. 

Para que a amostra represente fielmente o todo, o processo de amostragem (comumente chamado de coleta das amostras) deve ser confiável.

A fim de garantir a confiabilidade dos resultados emitidos pelo laboratório existem alguns controles que podemos aplicar. Neste artigo vou lhes falar sobre os controles de BRANCO.

Branco de Campo e de Viagem: O branco de campo é usado para a verificação de contaminações ambientais que podem ser adicionadas às amostras durante processo de amostragem.
O branco de viagem verifica a ocorrência de contaminação durante o transporte (laboratório – campo – laboratório). São preparados no laboratório três frascos de branco (A, B, e C) com água deionizada.
O frasco A é encaminhado imediatamente para análise e os demais vão a campo. No ponto de coleta, o frasco B permanece na caixa de transporte, enquanto o frasco C é retirado, aberto e exposto ao ambiente durante todo o procedimento de retirada da amostra. Ao final, o frasco C é fechado, armazenado na caixa de transporte juntamente com as demais amostras coletadas e o frasco B, sendo todos submetidos ao processo analítico requerido, normalmente em projetos são realizadas analises de varredura de compostos orgânicos voláteis (COV / VOC).
Recomenda-se a realização de pelo menos um controle (três frascos) para cada viagem realizada. Os resultados de cada controle são obtidos conforme descrito a seguir: 

(B – A) = Branco de viagem 

(C – B – A) = Branco de Campo

Branco de Equipamentos: Os procedimentos de branco de equipamento podem ser usados tanto para avaliar a eficiência da lavagem dos equipamentos de coleta tanto em laboratório quanto em campo.
No caso da realização em campo, serve para verificar a eficiência da lavagem realizada nos equipamentos utilizados entre os diversos pontos de coleta, tendo em vista que muitos projetos não são constituídos de apenas uma amostra, minimizando a possibilidade de contaminação cruzada entre os pontos.
Para sua realização, utiliza-se água deionizada, que ao fim do processo de lavagem é usada como ultima água de enxágue do equipamento, devendo ser coletada e analisada para os parâmetros de interesse.
Um caso particular que costumo utilizar na amostragem de água subterrâneas pelo método da baixa vazão é simular a coleta utilizando água deionizada, assim garanto que todos meus equipamento e insumos descartáveis, como mangueiras e bexiga, não contaminam as amostras.

Dentre estes controles de banco apresentados, o ideal é se obter resultados abaixo do limite de quantificação do método, caso em alguma desta amostra de branco for obtido resultados acima do limite de quantificação, seu processo precisa ser revisto, além de que teu projeto foi comprometido por algum tipo de contaminação.

Referencia:
Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Guia nacional de coleta e preservação de amostras: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo; Organizadores: BRANDÃO, C. J. São Paulo: CETESB; Brasília: ANA, 2011. 326p.

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Amostragem de Matrizes Ambientais

Em minha caminhada na área de análises ambientais (água, efluente, solo, resíduos, etc.), me deparo com uma questão que se repete ao longo do tempo: “Preciso contratar a “coleta” das amostras ou posso realizar e enviar ao laboratório?”

Já ouvi dizer que a resposta irá depender da finalidade da qual necessita das análises, visto que no estado de São Paulo, por exemplo, foi publicada a Resolução SMA nº 100, de 17 de outubro de 2013, onde “Regulamenta as exigências para os resultados analíticos, incluindo-se a amostragem, objeto de apreciação pelos órgãos integrantes do Sistema Estadual de Administração da Qualidade Ambiental, Proteção, Controle e Desenvolvimento do Meio Ambiente e Uso Adequado dos Recursos Naturais – SEAQUA.”

E que resolve em seu Art. 2º e 3º:

“Artigo 2º – Os laudos analíticos submetidos à apreciação dos órgãos integrantes do Sistema Estadual de Administração da Qualidade Ambiental, Proteção, Controle e Desenvolvimento do Meio Ambiente e Uso Adequado dos Recursos Naturais – SEAQUA, que contêm os resultados de ensaios físicos, químicos e biológicos referentes a quaisquer matrizes ambientais, deverão ser emitidos e realizados por laboratórios acreditados, nos parâmetros determinados segundo a Norma ABNT NBR ISO/IEC 17025, pela Coordenação Geral de Acreditação – CGCRE do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO ou por outro organismo internacional que faça parte de acordos de reconhecimento mútuo, do qual a Coordenação Geral de Acreditação – CGCRE seja signatária.

§ 1º – A acreditação deverá ser evidenciada para cada ensaio constante no laudo analítico na matriz ambiental de interesse.

§ 2º – Quando não houver laboratórios que atendam às condições previstas no § 1º, no que se refere à realização de ensaios físicos, químicos e biológicos, serão aceitos resultados analíticos emitidos por laboratórios acreditados pela Coordenação Geral de Acreditação – CGCRE para outro(s) ensaio(s), desde que seja utilizada a mesma técnica analítica do(s) ensaio(s) de interesse.

§ 3º – Quando não houver laboratórios que atendam às condições previstas nos § 1º e § 2º, poderão, a critério dos órgãos do Sistema Estadual de Administração da Qualidade Ambiental, Proteção, Controle e Desenvolvimento do Meio Ambiente e Uso Adequado dos Recursos Naturais – SEAQUA, ser aceitos resultados analíticos complementados de evidências objetivas que garantam a sua qualidade, mediante a definição, pela CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, dos itens de controle de qualidade analítica necessários para cada situação específica.

§ 4º – O ônus da comprovação da inexistência de laboratórios que atendam as condições previstas neste artigo competirá ao solicitante.

Artigo 3º – Após o transcurso do prazo de 2 (dois) anos, contados da publicação desta Resolução, as exigências de acreditação estabelecidas no artigo 2º também serão aplicadas às atividades de amostragem referentes às seguintes matrizes ambientais:

I – Água subterrânea em poço de monitoramento para método de purga por baixa vazão;

II – Água para consumo humano;

III – Água bruta em poço tubular para fins de abastecimento;

IV – Água Superficial;

V – Efluentes líquidos;

VI – Emissões atmosféricas em fontes estacionárias; e

VII – Ar atmosférico em monitoramento automático e manual.”


Sem entrar nessa discussão de que coleta acreditada somente em laudos para a órgão ambiental, vou apenas expor algumas das vantagens de se contratar as análises e a AMOSTRAGEM com um laboratório que seja acreditado na ISO 17025 em ambos os serviços.

Em primeiro, vamos definir o que é amostragem:

“Atividade que consiste em retirar uma fração representativa (amostra) de uma região (água, solo, efluentes, entre outros) para fins de ensaio ou medição.” (CETSB; ANA, 2011).

“Procedimento definido, pelo qual uma parte de uma substância, material ou produto é retirada para produzir uma amostra representativa do todo, para ensaio ou calibração subsequentes. A amostragem também pode ser requerida pela especificação apropriada, para a qual a substância, material ou produto é ensaiado ou calibrado.”
(INMETRO, 2018).

Fica claro que a amostragem é o inicio de todo o procedimento analítico e por sua vez possui grande parcela de contribuição na incerteza de medição nos ensaios laboratoriais, pois, a coleta de amostras consiste num processo que é atrelado desde a análise critica do processo comercial até a emissão do laudo analítico.

Quando um laboratório possui acreditação nos serviços de amostragem, além de possuir calculado a contribuição da amostragem na incerteza de medição dos ensaios (Requisito de Auditoria na 17025) por meio de métodos, como por exemplo o guia da EURACHEM “Measurement uncertainty arising from sampling A guide to methods and approaches”, o laboratório deve atender os requisitos do documento normativo NIT-Dicla-57 “CRITÉRIOS PARA ACREDITAÇÃO DA AMOSTRAGEM PARA ENSAIOS DE ÁGUAS E MATRIZES AMBIENTAIS”. Neste documento do INMETRO são pautados os requisitos mínimos para que um laboratório possa ter a acreditação concedida a sua amostragem, onde, de forma geral deve ser levado em consideração todo processo analítico que envolve as etapas de:

- Amostragem;
- Ensaios nas instalações do cliente;
- Ensaios nas instalações permanentes;
- Resultados.


Perante isto, a Dicla estabeleceu a seguinte política para acreditação da amostragem:

“O laboratório que realiza amostragem e os respectivos ensaios, porém que não está acreditado para amostragem (isto é, acreditado apenas para os ensaios), não pode emitir relatórios com símbolo da acreditação ou fazer referência a esta, quando realizar a amostragem. Uma vez que a amostragem é parte integrante do processo analítico.

Quando o laboratório não for responsável pela fase de amostragem (ou seja, que tenha sido fornecido pelo cliente), deve indicar no relatório que as amostras foram analisadas como recebido. Se o laboratório tiver conduzido ou dirigido a fase de amostragem, o laboratório deve apresentar no relatório os procedimentos utilizados (ou plano de amostragem) e comentar sobre quaisquer consequentes limitações impostas sobre os resultados.

O laboratório deve ser responsável por todas as informações fornecidas no relatório de ensaio, exceto quando os dados são fornecidos pelo cliente. Quando os dados são fornecidos pelo cliente, deve haver uma identificação clara do mesmo. Além disso, um aviso deve ser colocado no relatório quando os dados são fornecidos pelo cliente e pode afetar a validade dos resultados de ensaio.”
(INMETRO, 2018).

Então, quando me questionam sobre a necessidade de se contratar a coleta das amostras, eu digo que é muito importante, pois a garantia da validade dos resultados é assegurada. Porém como sabemos que quando falamos de meio ambiente, algumas vezes os cenários ideais se tornam inviáveis economicamente, é importante que os programas de monitoramento ambiental sejam bem elaborados e em conformidade com os requisitos exigidos pelos órgãos ambientais de modo que os requisitos de uma boa gestão ambiental sejam atendidos e a viabilidade econômica do negócio não seja comprometida.

Referencias:
Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Guia nacional de coleta e preservação de amostras: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo; Organizadores: BRANDÃO, C. J. São Paulo: CETESB; Brasília: ANA, 2011. 326p;

Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. NIT-DICLA-057 CRITÉRIOS PARA ACREDITAÇÃO DA AMOSTRAGEM PARA ENSAIOS DE ÁGUAS E MATRIZES AMBIENTAIS. INMETRO. Rio de Janeiro, RJ. Mar. 2018, 21p;

São Paulo, Brasil. RESOLUÇÃO SMA Nº 100, DE 17 DE OUTUBRO DE 2013. Publicada no Diário Oficial do estado em 22 de outubro de 2013, Seção I p. 41.

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental. 

Att,

MSc. Eduardo Caires


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O que significa Turbidez em água?

A Turbidez é uma expressão da propriedade óptica que faz com que a luz seja espalhada e absorvida em vez de ser transmitida sem direção de mudança ou nível de fluxo. Em água pode ser causada por material particulado em suspensão, matéria orgânica (dissolvida ou coloidal), silte, afloramentos de plâncton ou outros tipos de microrganismos, corrosão de estruturas metálicas (caixa d’água, tubos, conexões, etc.). Com um método de análise bem simples e barato (Método Nefelométrico) a Turbidez é um dos parâmetros de qualidade de água constantes na Resolução SS-65 do estado de São Paulo, o qual é mais conhecida como a análise de potabilidade mensal em sistemas de abastecimento. Em água para consumo humano as legislações vigentes preconizam o valor de 5,0 NTU como o máximo permitido. Já em ambientes aquáticos, a turbidez elevada prejudica espécies de peixes se utilizam da visão para orientação e alimentação, como por exemplo o Dourado (Salminus brasiliensis).



MSc. Eduardo Caires, Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, no setor ambiental me consolidei nos seguintes tópicos: monitoramento ambiental, avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano, tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial), gestão de resíduos sólidos, gerenciamento de áreas contaminadas, recuperação de áreas degradadas, valoração de dano ambiental, ecologia aplicada, mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS (IQA) - parte 3

Finalizando a série de artigos o qual falei sobre o IQA, neste ultimo irei comentar sobre como calcular este Índice.

O cálculo em si, do IQA é realizado por meio do produtório ponderado dos nove parâmetros analisados, com base na seguinte fórmula:



Onde:

IQA = Resulta em um número entre 0 e 100%;

qi = qualidade do i-ésimo parâmetro. Um número entre 0 e 100, obtido do respectivo gráfico de qualidade, em função de sua concentração ou medida (resultado da análise);

wi = peso correspondente ao i-ésimo parâmetro fixado em função da importância, o resultado obtido é um número entre 0 e 1, de forma que:


Para calcularmo o qi utilizamos as formulas descritas nas figuras abaixo, sendo calculado para cada parâmetro de acordo com o gráfico de qualidade (vide artigo parte 1). Equações das curvas de qualidade da água do NSF, elaboradas pela CETESB. Fonte: Sperling, 2007, p. 255.




Planilha Cálculo IQA

No link você consegue baixar a planilha que formulei para realizar os cálculos de #IQA e para ilustrar a utilização gravei um rápido vídeo.

Vídeo calculo de IQA
Do mais esperam que tenham gostado da série de artigos sobre o IQA e que lhes ajude na utilização deste índice.

Atenciosamente
MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS (IQA) - parte 2

Dando continuidade a série de artigos sobre IQA, vou falar neste um pouco sobre cada parâmetro que está contido neste índice.

Para quem ainda não leu a parte 1 abaixo segue o link:

https://eduardocaires-perito.blogspot.com/2018/08/indice-de-qualidade-das-aguas-iqa-parte.html

Caso já tenha lido a primeira parte vamos recapitular um pouco. O IQA é composto por nove parâmetros analíticos que representam a presença de contaminação de águas superficiais por meio de efluentes sanitários (domésticos) ou industriais, sendo eles: Oxigênio Dissolvido (O.D.), Coliformes Termotolerantes, pH, Demanda Bioquímica de Oxigênio (D.B.O..), Temperatura, Nitrogênio Total, Fosforo Total, Turbidez, Resíduos Total.

Bom, então vamos para o que importa, saber o que é cada um destes.

Oxigênio Dissolvido (O.D.)

O O.D. é essencial para a preservação da vida aquática, já que vários organismos (ex: peixes, macroinvertebrados, bactérias aeróbias, etc.) utilizam o oxigênio para respiração. Águas poluídas por efluentes apresentam baixa concentração de O.D., pois ele é consumido no processo de decomposição microbiano da matéria orgânica. Por outro lado as águas limpas apresentam concentrações de oxigênio dissolvido mais elevadas, geralmente superiores a 5,0 mg/L, exceto se houverem condições naturais que causem baixos valores deste parâmetro, como por exemplo, ambientes lênticos (lagos e lagoas).

Porém ambientes aquáticos eutrofizadas podem apresentar concentrações de oxigênio superiores a 10 mg/L, sendo este cenário conhecido como supersaturação. Isto ocorre principalmente em lagos e represas em que o excessivo crescimento das algas faz com que durante o dia (período de fotossíntese), os valores de oxigênio fiquem mais elevados. Por outro lado, durante a noite a respiração destes organismos faz com que as concentrações de oxigênio diminuam drasticamente, podendo ocasionar a mortandade de peixes, por exemplo

Além da fotossíntese, o oxigênio também é introduzido nas águas através do processo de difusão, que dependem das características hidráulicas dos corpos d’água, como por exemplo, velocidade de movimentação, quedas, correnteza, entre outros processos físicos.

O O.D. é um parâmetro que em minha opinião deve ser realizado em campo, pois de acordo com as orientações do Standard Methods (SMWW 22ªed.), o seu tempo de estabilidade é de 15 minutos.

Método de Referência: SMWW 22ªed. 4500 O-G, determinação de oxigênio dissolvido por eletrodo de membrana.

Coliformes termotolerantes

Os Coliformes são bacilos gram-negativos indicadoras de contaminação e os principais gêneros são: Escherichia, Enterobacter e Klebsiella.

São largamente utilizadas na avaliação da qualidade das águas, servindo de parâmetro microbiológico básico às legislações CONAMA 357, Anexo XX Portaria de Consolidação nº05, Decreto 8468 de 76, entre outras que se utilizam desse controle para garantir a qualidade da água para o consumo humano, balneabilidade ou processos industriais.

Os coliformes termotolerantes, também denominados, coliformes fecais, ocorrem no trato intestinal de animais de sangue quente e são indicadoras de poluição por esgotos sanitários. Indicam a existência de microrganismos patogênicos que são responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica.

O período de estabilidade deste parâmetro é de 24 horas apos a coleta da amostra, segundo o SMWW 22ªed.

Método de Referência: SMWW 22ªed. 9222 D, determinação por membrana filtrante ou SMWW 22ªed. 9223 B determinação por tubos múltiplos.

Potencial Hidrogeniônico (pH)

O pH em ecossistemas aquáticos influencia diretamente no funcionamento fisiológico das espécies. A Resolução CONAMA 357 estabelece que para a proteção da vida aquática o pH deve estar entre 6 e 9. Alterações nos valores de pH também podem alterar o efeito de substâncias químicas que são tóxicas para os organismos aquáticos, como os metais pesados e agrotóxicos por exemplo.

Com o mesmo critério utilizado para o O.D., a análise de pH deve ser realizada em campo.

Método de Referência: SMWW 22ªed. 4500 H+, determinação pelo método potenciométrico.

Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5,20)

A DBO é um parâmetro que representa a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica presente na água através da decomposição microbiana aeróbia. A descrição 5,20 é a quantidade de oxigênio consumido durante 5 dias em uma temperatura de 20°C, esta padronização se por meio de um experimento realizado pelo químico inglês Frankland, em 1870, sendo o numero de cinco dias o período que a água do rio Tamisa demora para percorrer de Londres até o mar e 20ºC é a sua temperatura média anual.

Valores altos de DBO5,20 indica a presença de poluição orgânica no corpo hídrico, além de baixas concentrações de O.D., o que pode provocar mortandades de peixes e eliminação de outros organismos aquáticos.

Para a análise de DBO é importante que amostra seja incubada em até 24 horas após a coleta da amostra, porém caso não for possível, até 48 horas a estabilidade deste parâmetro se mantém, de acordo com o SMWW 22ªed.

Método de Referência: SMWW 22ªed. 5210 B, determinação de DBO5,20 pelo método respirométrico.

Temperatura

A temperatura influência vários outros parâmetros físico-químicos da água, como a tensão superficial e a viscosidade. Os organismos aquáticos são afetados por temperaturas fora de seus limites de tolerância térmica, o que causa impactos sobre seu crescimento e reprodução.

Todos os corpos d’água apresentam variações de temperatura ao longo do dia e das estações do ano, no entanto, o lançamento de efluentes com altas temperaturas pode causar impacto significativo, elevando a temperatura do corpos hídrico.

Seguindo o mesmo critério aplicado ao O.D. e pH, a temperatura da água é um parâmetro que deve ser medido em campo.

Método de Referência: SMWW 22ªed. 2550 B, determinação por sensor térmico.

Nitrogênio Total

Nos corpos d’água o nitrogênio pode ocorrer nas formas de nitrogênio orgânico, amoniacal, nitrito e nitrato. O nitrato é tóxico ao humano, e em altas concentrações causa uma doença chamada metahemoglobinemia infantil, que é letal.

Pelo fato dos compostos de nitrogênio serem nutrientes de processos biológicos, seu lançamento em grandes quantidades nos corpos hídricos, em conjunto com outros nutrientes, como o fósforo por exemplo, causa um crescimento excessivo das algas levando ao processo de eutrofização, o que pode prejudicar o abastecimento público, a recreação e a preservação da vida aquática.

As fontes de nitrogênio para os corpos d’água são variadas, sendo uma das principais o lançamento de esgotos sanitários e efluentes industriais. Em áreas agrícolas, o escoamento da água das chuvas em solos que receberam fertilizantes também é uma fonte de nitrogênio, assim como a drenagem de águas pluviais em áreas urbanas.

Também ocorre a fixação biológica do nitrogênio atmosférico pelas algas e bactérias. Além disso, outros processos, tais como a deposição atmosférica pelas águas das chuvas também causam aporte de nitrogênio aos corpos d’água.

Como citado no primeiro parágrafo deste item, o nitrogênio total é a soma dos tipos de nitrogênio e cada um dentro do laboratório possui um método para determinação.

Nitrogênio Orgânico (Kjeldahl) - Método de Referência: SMWW 22ed. 4500 Norg, determinação pelo método micro, semi-micro ou macro kjeldahl. Prazo de estabilidade é de 7 dias com preservação por ácido sulfúrico.

Nitrogênio Amoniacal - Método de Referência: SMWW 22ed. 4500 NH3, determinação pelo método colorimétrico. Prazo de estabilidade é de 7 dias com preservação por ácido sulfúrico.

Nitrato - Método de Referência: USEPA 300.1, determinação por cromatografia iônica. Prazo de estabilidade de 48 horas.

Nitrito - Método de Referência: USEPA 300.1, determinação por cromatografia iônica. Prazo de estabilidade de 48 horas.

Fósforo Total
Do mesmo modo que o nitrogênio, o fósforo é um importante nutriente para os processos biológicos e seu excesso pode causar a eutrofização. Entre as fontes de fósforo destacam-se os esgotos domésticos, pela presença dos detergentes superfosfatados e da própria matéria fecal. A drenagem pluvial de áreas agrícolas e urbanas também é uma fonte significativa de fósforo para os rios, visto que os fertilizantes utilizados na lavoura possuem o fósforo como nutriente de aplicação. Entre os efluentes industriais destacam-se os das indústrias de fertilizantes, alimentícias, laticínios, frigoríficos e abatedouros.

Método de Referência: SMWW 22ed. 4500 P B/E, determinação pelo método de digestão ácida e colorimetria com ácido ascórbico. Prazo de estabilidade é de 7 dias com preservação por ácido sulfúrico.

Turbidez

A turbidez indica o grau de atenuação que um feixe de luz sofre ao atravessar a água. Esta atenuação ocorre pela absorção e espalhamento da luz causada pelos sólidos em suspensão (silte, areia, argila, algas, detritos, etc. ).

A principal fonte de turbidez é a erosão dos solos, quando na época das chuvas as água pluviais trazem uma quantidade significativa de material sólido para os corpos d’água, além do revolvimento do sedimento.

Atividades de mineração, assim como o lançamento de esgotos e de efluentes industriais, também são fontes importantes que causam uma elevação da turbidez das águas.

O aumento da turbidez faz com que uma quantidade maior de produtos químicos (ex: coagulantes) sejam utilizados nas estações de tratamento de águas, aumentando os custos de tratamento. Além disso, a alta turbidez também afeta a preservação dos organismos aquáticos, o uso industrial e as atividades de recreação.

Para peixes predadores, como por exemplo o Aruanã, que se utilizam do sentido da visão para caçar suas presas, em águas com turbidez elevada, prejudica que esses animais cacem e se alimentem adequadamente.

Método de Referência: SMWW 22ed. 2130 B, determinação pelo método nefelométrico. Prazo de estabilidade do parâmetro é de 24 horas.

Resíduo Total

O resíduo total, também conhecido como Sólidos Totais Totais (STT) é a matéria que permanece após a evaporação, secagem ou calcinação da amostra de água durante um determinado tempo e temperatura.

Quando os resíduos sólidos se depositam nos leitos dos corpos d’água podem causar seu assoreamento, que gera problemas para a navegação e pode aumentar o risco de enchentes. Além disso podem causar danos à vida aquática pois ao se depositarem eles destroem os organismos que vivem nos sedimentos (macroinvertebrados bentônicos) que são a base da teia alimentar em ecossistemas aquáticos, além de danificar os locais de desova de algumas espécies de peixes.

Método de referência: SMWW 22ªed. 2540 B, determinação por secagem a 103 a 105ºC. O prazo de estabilidade deste parâmetro é de 7 dias.

Bem, finalizando este artigo que será o mais longo da série, pois foi descrito cada parâmetro do IQA, bem como sugestões de métodos analíticos e preservação das amostras. Na terceira e ultima parte desta série de artigos, irei falar sobre como realizar os cálculos.

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS (IQA) - parte 1

O Índice de Qualidade das Águas, popularmente conhecido como IQA, foi criado em 1970 nos Estados Unidos, pela National Sanitation Foundation e A partir de 1975 começou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) passou a adotar este índice no monitoramento da qualidade das águas continentais e atualmente é um dos índices mais utilizados no país.

O IQA foi desenvolvido com a finalidade de se avaliar a qualidade da água bruta para o abastecimento público. Os parâmetros utilizados no cálculo são indicadores de contaminação por efluentes domésticos ou industriais, desde que sejam de natureza orgânica.

Em síntese, para cálculo do IQA são utilizados nove parâmetros (Tabela 1), onde é estabelecida uma qualidade q de 0 a 100 para cada um deles e cada q é elevado à ponderação correspondente w. O IQA é obtido multiplicando-se cada componente qw.

Tabela 1: Parâmetros utilizados para cálculo de IQA e seu respectivo peso.

Fonte: ANA, 2004.

E além do peso de cada parâmetro, apresenta o valor de q em função da sua concentração determinada, como nos mostra a Figura 1.

Figura 1: valor de q baseado na resultado determinado para cada parâmetro do IQA.

Fonte: ANA, 2004.

A partir do cálculo efetuado, pode-se determinar a qualidade das águas brutas, que é indicada pelo IQA, variando numa escala de 0 a 100%, representado na Tabela 2.

Tabela 2: Classificação do IQA

Fonte: CETESB, 2015.

Este método de avaliação possui suas limitações, visto que o conjunto dos parâmetros analisados é pequeno e fica de fora outros importantes para o abastecimento público como, por exemplo, metais pesados, pesticidas, compostos orgânicos, protozoários patogênicos e substâncias que interferem nas propriedades organolépticas da água.

Porém o seu custo de aplicação é relativamente barato em comparação a monitoramentos baseados em legislações mais completas como o Art. 15 do CONAMA 357 de 2004 ou os Anexos do Anexo XX da portaria de consolidação n.05 de 2017, além da facilidade de se encontrar laboratórios prestadores de serviços (Acreditados na ISO 17025) que possuam capacidade em executar estes parâmetros.

Em resumo, o custo beneficio do IQA o torna muito vantajoso para utilização em programas de monitoramento de águas superficiais.

Nos próximos artigos irei falar sobre cada parâmetro presente neste índice até chegarmos em como montar uma planilha de cálculos no excel.

Atenciosamente,


MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

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