Eduardo Caires: bioindicadores
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Índices de qualidade da água - IVA

Continuando a falar sobre índices que nos ajudam a classificar a qualidade das águas superficiais, trago agora a vocês o IVA, que significa: Índice de Qualidade das Águas para Proteção da Vida Aquática e de Comunidades Aquáticas.

Para quem não viu a série de artigos anteriores deixo abaixo o link da vídeo aula sobre o cálculo do IQA Cetesb:

Proposto por Zagatto et al., 1999, o IVA tem por objetivo avaliar a qualidade das águas para fins de proteção da fauna e flora aquática em geral, diferente do IQA, por exemplo, que mensura a qualidade da água com base na contaminação por efluentes sanitários. 

O IVA leva em consideração a presença e concentração de contaminantes químicos tóxicos, seu efeito sobre os organismos aquáticos (toxicidade aguda e crônica) e duas das variáveis consideradas essenciais para a biota aquática, pH e O.D. (oxigênio dissolvido), variáveis essas que são agrupadas no IPMCA – Índice de Variáveis Mínimas para a Preservação da Vida Aquática, bem como o IET – Índice do Estado Trófico de Carlson modificado por Lamparelli (2004). Desta forma, este índice nos fornece informações não só sobre a qualidade da água em termos ecotoxicológicos, mas também sobre o seu grau de trofia. 

O IPMCA é composto por dois grupos de variáveis: 
- Variáveis Essenciais (VE): O.D., pH e toxicidade (lembrando que os testes ecotoxicologicos devem ser analisados tanto para o efeito agudo, quando para o crônico). 
- Substâncias Tóxicas (ST): Metais pesados (Cádmio, Cromo, Cobre dissolvido, Chumbo, Mercúrio, Níquel e Zinco), mais Surfactantes, também conhecidos como substancias tensoativas que reagem com o azul de metileno.

Para cada parâmetro analisado, são estabelecidos três diferentes níveis de qualidade, com ponderações numéricas de 1 a 3 e que correspondem a Valores Máximos Permitidos (VMP) estabelecidos pela Resolução CONAMA 357 de 2005 e as normas Americanas e Francesa para padrão de qualidade de águas superficiais.

Esses níveis refletem as seguintes condições de qualidade de água: 
Nível A: Águas com características desejáveis para manter a sobrevivência e a reprodução dos organismos aquáticos. Atende aos padrões de qualidade da Resolução CONAMA 357/2005 para águas classes 1 e 2 (BRASIL, 2005). (ponderação 1). A exceção é o O.D. para classe 1 cujo valor é ≥ 6,0 mg/L O2.

Nível B: Águas com características desejáveis para a sobrevivência dos organismos aquáticos, porém a reprodução pode ser afetada a longo prazo (ponderação 2). 

Nível C: Águas com características que podem comprometer a sobrevivência dos organismos aquáticos (ponderação 3).

Cálculo do IPMCA:

IPMCA = VE x ST

Onde: 
VE = Valor da maior ponderação do grupo das variáveis essesnciais.
ST = Valor médio das tês maiores ponderações do grupo de substancias tóxicas. Este valor é um número inteiro e o critério de arredondamento deverá ser o seguinte: valores menores que 0,5 serão arredondados para baixo e valores maiores ou iguais a 0,5 para cima. 
O valor do IPMCA pode variar de 1 a 9, sendo subdividido em quatro faixas de qualidade



Já o IET, índice de estado trófico, é baseado nas concentrações de Fósforo e Clorofila presentes na água e variável de acordo com o tipo de ambiente (lêntico e lótico). 

O Índice do Estado Trófico apresentado e utilizado no cálculo do IVA, será composto pelo Índice do Estado Trófico para o fósforo – IET(PT) e o Índice do Estado Trófico para a clorofila a – IET(CL), modificados por Lamparelli (2004), sendo estabelecidos para ambientes lóticos, segundo as equações:

- Rios:
IET (CL) = 10x(6-((-0,7-0,6x(ln CL))/ln 2))-20
IET (PT) = 10x(6-((0,42-0,36x(ln PT))/ln 2))-20

- Reservatórios:
IET (CL) = 10x(6-((0,92-0,34x(ln CL))/ln 2))
IET (PT) = 10x(6-(1,77-0,42x(ln PT)/ln 2))

Onde:
PT = concentração de fósforo total medida à superfície da água, em µg.L-1;
CL = concentração de clorofila a medida à superfície da água, em µg.L-1;
ln = logaritmo natural.
O resultado dos valores mensais apresentados nas tabelas do IET será a média aritmética simples, com arredondamento da primeira casa decimal, dos índices relativos ao fósforo total e a clorofila a, segundo a equação:

IET = [ IET ( PT ) + IET ( CL) ] / 2

Os limites estabelecidos para as diferentes classes de trofia para rios e reservatórios estão descritos nas tabelas a seguir:





Realizados os cálculos anteriores é possível se obter o IVA por meio da seguinte equação:

IVA = (IPMCA x 1,2) + IET

E de acordo com os resultados obtidos no indice, comparamos com a tabela abaixo:


Que resulta em cinco classificações diferentes para o IVA:



De acordo com o Decreto Estadual 8468 de 1976 e a Resolução federal CONAMA 357/05, a proteção das comunidades aquáticas está prevista para corpos d’água enquadrados nas classes 1, 2 e 3, sendo, portanto, pertinente a aplicação do IVA somente para esses ambientes.

Fonte: Qualidade das Águas Interiores no estado de São Paulo. Apêndice D - Indice de Qualidade de Águas, disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/aguas-interiores/wp-content/uploads/sites/12/2017/11/Ap%C3%AAndice-D-%C3%8Dndices-de-Qualidade-das-%C3%81guas.pdf

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Bactérias heterotróficas

Bactérias são micro-organismos procariontes encontrados em todas as regiões do mundo. Atualmente são conhecidas e descritas milhares de espécies e, dentre elas temos dois grupos distintos:

- Bactérias heterotróficas - não produzem o próprio alimento.

- Bactérias autotróficas - produzem o próprio alimento.

As bactérias heterotróficas se alimentam de matéria orgânica oriundas de outros organismos e dependendo do estado disponível dessa matéria orgânica, as bactérias podem ser classificadas em decompositoras ou parasitas.

A contagem de bactérias heterotróficas é amplamente utilizada como indicador da qualidade da água potável, sendo que os microrganismos são detectados por propagação em meios não seletivos, como por exemplo, o meio PCA (Plate Count Agar)

O Anexo XX da Portaria De Consolidação Nº 5 do Ministério da Saúde de 03 de Outubro de 2017 em seu Artigo 28 Resolve sobre o tema:

“Art. 28. A determinação de bactérias heterotróficas deve ser realizada como um dos parâmetros para avaliar a integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede). (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28)§ 1º A contagem de bactérias heterotróficas deve ser realizada em 20% (vinte por cento) das amostras mensais para análise de coliformes totais nos sistemas de distribuição (reservatório e rede). (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28, § 1º)§ 2º Na seleção dos locais para coleta de amostras devem ser priorizadas pontas de rede e locais que alberguem grupos populacionais de risco. (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28, § 2º)§ 3º Alterações bruscas ou acima do usual na contagem de bactérias heterotróficas devem ser investigadas para identificação de irregularidade e providências devem ser adotadas para o restabelecimento da integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede), recomendando-se que não se ultrapasse o limite de 500 UFC/mL. (Origem: PRT MS/GM 2914/2011, Art. 28, § 3º)”

Por se tratar de um indicativo para microrganismos não seletivos, quando se observar resultados muito elevados deste indicador, é necessário realizar uma investigação mais detalhada afim de verificar qual ou quais grupos de bactérias são mais predominantes do sistema, como por exemplo, coliformes de origem fecais ou não.

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Controles de Qualidade na Amostragem - Matriz Água

No monitoramento ambiental, as empresas precisam realizar a gestão do impacto causado pelo seu processo produtivo em diferentes compartimentos, detre eles na qualidade da água (subterrânea, superficial, etc.).

Estatisticamente temos dentre as definições disponíveis que, amostragem é:
Um ato, processo ou técnica de escolha e seleção de membros de uma população ou de um universo estatístico que possam constituir uma amostra.

Ou seja, quando analisamos a presença de contaminantes em um rio, por exemplo, não analisamos todo o corpo hídrico e sim uma pequena porção representativa, que denominamos por amostra. 

Para que a amostra represente fielmente o todo, o processo de amostragem (comumente chamado de coleta das amostras) deve ser confiável.

A fim de garantir a confiabilidade dos resultados emitidos pelo laboratório existem alguns controles que podemos aplicar. Neste artigo vou lhes falar sobre os controles de BRANCO.

Branco de Campo e de Viagem: O branco de campo é usado para a verificação de contaminações ambientais que podem ser adicionadas às amostras durante processo de amostragem.
O branco de viagem verifica a ocorrência de contaminação durante o transporte (laboratório – campo – laboratório). São preparados no laboratório três frascos de branco (A, B, e C) com água deionizada.
O frasco A é encaminhado imediatamente para análise e os demais vão a campo. No ponto de coleta, o frasco B permanece na caixa de transporte, enquanto o frasco C é retirado, aberto e exposto ao ambiente durante todo o procedimento de retirada da amostra. Ao final, o frasco C é fechado, armazenado na caixa de transporte juntamente com as demais amostras coletadas e o frasco B, sendo todos submetidos ao processo analítico requerido, normalmente em projetos são realizadas analises de varredura de compostos orgânicos voláteis (COV / VOC).
Recomenda-se a realização de pelo menos um controle (três frascos) para cada viagem realizada. Os resultados de cada controle são obtidos conforme descrito a seguir: 

(B – A) = Branco de viagem 

(C – B – A) = Branco de Campo

Branco de Equipamentos: Os procedimentos de branco de equipamento podem ser usados tanto para avaliar a eficiência da lavagem dos equipamentos de coleta tanto em laboratório quanto em campo.
No caso da realização em campo, serve para verificar a eficiência da lavagem realizada nos equipamentos utilizados entre os diversos pontos de coleta, tendo em vista que muitos projetos não são constituídos de apenas uma amostra, minimizando a possibilidade de contaminação cruzada entre os pontos.
Para sua realização, utiliza-se água deionizada, que ao fim do processo de lavagem é usada como ultima água de enxágue do equipamento, devendo ser coletada e analisada para os parâmetros de interesse.
Um caso particular que costumo utilizar na amostragem de água subterrâneas pelo método da baixa vazão é simular a coleta utilizando água deionizada, assim garanto que todos meus equipamento e insumos descartáveis, como mangueiras e bexiga, não contaminam as amostras.

Dentre estes controles de banco apresentados, o ideal é se obter resultados abaixo do limite de quantificação do método, caso em alguma desta amostra de branco for obtido resultados acima do limite de quantificação, seu processo precisa ser revisto, além de que teu projeto foi comprometido por algum tipo de contaminação.

Referencia:
Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Guia nacional de coleta e preservação de amostras: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo; Organizadores: BRANDÃO, C. J. São Paulo: CETESB; Brasília: ANA, 2011. 326p.

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.


domingo, 25 de novembro de 2018

Ecotoxicologia e Risco Ambiental

Para o monitoramento dos níveis de agrotóxicos no ambiente, como em matrizes de água, por exemplo, são realizadas análises laboratoriais, que utilizam técnicas como a cromatografia considerando variáveis como, compostos de interesse, grupo químico, limite de detecção e dificuldade de extração do composto, a fim de se obter resultados confiáveis (BELO et al., 2012; CHIQUETTI, 2013; LOURENCETTI, 2006; RIBEIRO et al., 2007).

Em complemento as análises físico-químicas, a ecotoxicologia se mostra como ferramenta eficiente (HAMADA, 2008). Esse ramo da ciência que trabalha em conjunto conceitos da ecologia e da toxicologia, estuda os efeitos nocivos causados por substâncias químicas a organismos vivos (ecotoxicidade), por meio de bioensaios realizados sob condições controladas em laboratório ou realizados in situ (COSTA et al., 2008).

Consistem basicamente na exposição de organismos-teste, validados como bioindicadores, a um contaminante ou uma matriz (água, solo, resíduos, efluentes, etc.), com o intuito de se simular os efeitos tóxicos causados em nível ecológico (população). Estes podem ser realizados de acordo com três classificações (Tabela 5), agudos, crônicos ou crônicos de curta duração (HAMADA, 2008).



Podem ser utilizados como organismo-teste: algas, macrófitas aquáticas, peixes, invertebrados (bentônicos ou pelágicos) e vegetais, que possibilitam avaliação ecológica, uma vez que representam diferentes níveis da cadeia trófica (DORNFELD, 2002). A escolha do organismo-teste deve levar em consideração quesitos como: a representatividade dentro do grupo ecológico em nível taxonômico ou trófico; facilidade de manuseio e cultivo em laboratório; estabilidade genética (como partenogênese, por exemplo, em Daphnia); conhecimento da biologia e sensibilidade a contaminantes (CAIRES, 2015).

Com esta ferramenta, pesquisas como a de Cauble e Wagner (2005) utilizaram larvas de Rana cascadae (espécie de rã norte americana) para exposição a diferentes concentrações do agrotóxico Roundup®, para testar os efeitos crônicos do glifosato no crescimento, desenvolvimento e metamorfose das larvas de R. cascadae. Em bioensaios preliminares de ecotoxicidade aguda, determinaram uma Concentração Letal a 50% da população exposta, CL50, 3,2 mg L-1.

Corbi, Gorni e Correa (2015) realizaram estudos de sensibilidade com o organismo Allonais inaequalis (Oligochaeta: Naididae), expostos em ensaios estáticos, durante 96 horas e foram encontrados resultados de CL50 com cloreto de potássio e cloreto de zinco, de 3,55 a 5,36 g L-1 e 0,09 a 0,510 mg L-1, respectivamente, propondo assim este organismo em protocolos de ecotoxicologia para amostras de água e sedimento de regiões tropicais, como o Brasil.

Porém, ao se interpretar os dados ecotoxicológicos, avaliando os efeitos dos contaminantes em escalas ecológicas de comunidades, são necessárias ferramentas estáticas e análises de modelos, como por exemplo, o modelo de análise de risco ambiental (COSTA et al., 2008).

Em laboratório os ensaios de ecotoxicidade, são realizados sobre condições específicas e com endpoints de interesse, como tóxico e não tóxico (ecotoxicidade aguda), e outros como taxa de reprodução (ecotoxicidade crônica) e, proporcionam dados em nível de população, para uma espécie a uma substância. Em ambientes naturais diversas espécies coabitam os ecossistemas, interagindo e respondendo de formas particulares a contaminação presente no ambiente (SANTOS et al., 2015).

Por isso, extrapolar os dados obtidos de indivíduos para comunidades e correlacionar com índices ecológicos, tem se mostrado um desafio para as pesquisas ambientais. Para isso, são necessários cálculos que combinem os resultados ecotoxicológicos com modelos matemáticos baseados nas propriedades conhecidas dos contaminantes estudados (DOU et al., 2014).

Assim, ao se determinar o risco ambiental de um contaminante é necessário determinar a ecotoxicidade aguda e/ou crônica e avaliar um ou mais endpoints em conjunto com a avaliação da dose-resposta. A dose resposta pode ser mensurada em dois tipos, Concentração Letal a 50% da população (CL50) e Concentração Efetiva a 50% da população (CE50), sendo a CL utilizada para organismos vertebrados e invertebrados e a CE utilizada para vegetais e algas.

Utilizando estes dados, pode-se calcular o risco ambiental baseado na ecotoxicidade, como por exemplo, por meio do método da análise de Q (Tabela 6) (SOUZA, 2008).



Onde: Q = CAE / CE50 ou CL50

CAE = Concentração ambiental estimada é o valor de um contaminante que chega efetivamente ao ambiente; este valor pode ser utilizado de acordo com dados da literatura, ou em alguns casos, como em ecossistemas aquáticos, é considerado como 100% da maior dose normalmente utilizada (GOKTEPE, PORTIER, AHMEDNA, 2004; MEDEIROS, 2008; SOUZA, 2008; ABE, 2012).

Baseado nestas metodologias, Solomon et al. (1996) testaram o agrotóxico Atrazina, um dos mais usados na América do Norte na época nas plantações de milho, no controle de plantas gramíneas invasoras. Foi determinada a presença do agrotóxico em 76 reservatórios em 11 estados norte-americanos obtendo uma porcentagem de 92% de ocorrência do contaminante; além disso, foi determinado o risco ambiental (Q) com base nos ensaios de ecotoxicidade com os organismos de grupos de fitoplâncton, zooplâncton, macrófitas aquáticas, macroinvertebrados bentônicos e peixes; concluíram que a Atrazina não possui risco ambiental significativo, pois apresentou toxicidade com valores acima de 20 μg L-1, sendo o encontrado nas determinações de Atrazina valores menores ou iguais a 5 μg L-1.

Goktepe, Portier e Ahmedna (2004), avaliaram o risco ambiental do composto Azadiractina em duas bases de óleo de neem, em 6 espécies de animais aquáticos, Promcambarus clarkii, Penaeus setiferus, Palaemonetes pugio, Callinectes sapidus, Daphinia pulex e Culex quinquefasciatus e o risco foi calculado pelo valor de Q. Os autores concluíram que as formulações Bioneem™ e Neemix™, não apresentam Risco Ambiental significativo, pois os resultados não foram superiores a Q = 0,5.

Pusceddu et al. (2017) realizaram estudos de risco ambiental em sedimentos contaminados com triclosan, testando os organismos Chironomus xanthus para toxicidade aguda e Ceriodaphnia dubia para toxicidade crônica; determinaram a CL50 de 45,26 μg L-1 para C. xanthus e para ecotoxicidade crônica a LOEC (Menor Concentração de Efeito Observado) de 6,94 μg L-1 para C. dubia no sedimento, sendo estes resultados equivalentes aos valores de CL50 e LOEC encontrados nos bioensaios de ecotoxicidade com o contaminante que são respectivamente de 47,28 μg L-1 e 7,24 μg L-1. Concluíram que os sedimentos contaminados com triclosan representam um alto risco para os organismos aquáticos.

Diante do exposto, a avaliação de risco ambiental é um conceito importante e deve ser aplicado para as avaliações de liberação de agrotóxicos perante os órgãos reguladores e fiscalizadores em conjunto aos ensaios de ecotoxicidade. É pela aplicação metodologias como essas, que os estudos ecológicos criam subsídios para a elaboração de políticas públicas voltadas a conservação do meio ambiente.

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Este texto acima, foi tirado da minha Dissertação de Mestrado e qualquer dúvida sobre as referencias ou se quiserem ler o texto na integra, favor entrar em contato via e-mail eduardocaires.ec@gmail.com 


MSc. Eduardo Caires
Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

Você sabe o que é uma Due Diligence Ambiental?

Você sabe o que é uma Due Diligence Ambiental?

É um estudo que tem por objetivo quantificar e estimar a presença de passivos e riscos ambientais de uma determinada área. Essa análise leva em consideração a utilização ao longo do tempo, além de se basear em uma série histórica de fatores, como por exemplo, se houve a presença, estocagem, produção ou manipulação de produtos químicos, combustíveis, resíduos, efluentes, etc.

No procedimento de Due Diligence Ambiental determinam-se os níveis de possíveis contaminações no solo, água subterrânea, águas superficiais e demais compartimentos e estruturas. Como resultado, é possível verificar, por exemplo, se há algum índice de contaminação no ambiente que ofereça risco potencial aos seres vivos.

Essa avaliação é muito importante durante a aquisição de áreas, imóveis ou empresas onde se deseja saber se o local é adequado para um determinado projeto, além de ajudar a determinar se o preço pedido pela propriedade em questão é justo!

Isto garante que a concretização tenha segurança jurídica e do investimento pretendido, pois a valoração estipulada na Due Diligence deve ser considerada na avaliação do projeto.

Dessa forma, lhes proponho de forma clara e concisa as soluções e implicações da investigação realizada, os riscos envolvidos, a estimativa de custos de remediações.

Atenciosamente,

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Como interpreto um relatório de análises de água?

Quando você recebe um relatório com análises em amostras de água, seja ela pra consumo humano, rio, efluente, água subterrânea, você consegue entender o que está escrito?

Entende todos aqueles números, siglas e demais itens compostos em tabelas, com VMP, LQ, etc.?

Foi pensando nisso que eu resolvi fazer este vídeo que deixarei o link no final do texto para você que tem dúvidas de como entender e  interpretar um laudo de análises de água.

Trabalho a quase uma década no ramo de análises ambientais e atualmente isso tem se tornado uma condicionante muito mais exigida em empresas de vários ramos de atividades, seja por exigências do licenciamento ambiental ou para abastecimento da empresa.

Em caso de dúvidas, criticas ou sugestões, pode mandar direto para o e-mail eduardocaires.ec@gmail.com que te retorno.

Link para o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=IcKZM5cBd2o&t=247s

Atenciosamente 

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Brasil e Argentina firmam cooperação para segurança química



Brasília – Os governos brasileiro e argentino firmaram nesta quinta-feira (11) cooperação bilateral para gestão de substâncias químicas. O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, e o secretário de Governo de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina, rabino Sergio Bergman, assinaram a parceria na 21ª Reunião do Fórum de Ministros do Meio Ambiente da América Latina e Caribe, em Buenos Aires. No evento, Edson participou, também, de reuniões bilaterais e de um debate sobre o tema. 
A cooperação é voltada para áreas como concepção de políticas públicas e desenvolvimento de regulamentos, com foco na gestão ambientalmente adequada de substâncias e produtos químicos. “Precisamos trabalhar juntos, dar prosseguimento a iniciativas comuns para enfrentar as questões que não obedecem a fronteiras políticas”, declarou Edson Duarte.

Com a assinatura, os dois países também atuarão em temas como controle de movimentos transfronteiriços e comercialização de distintos produtos químicos, além do reconhecimento mútuo dos resultados de avaliações de risco e de informações dos inventários que incluem dados de identificação de substâncias, fabricantes e importadores.

BENEFÍCIOS
A medida tem o potencial de facilitar a relação comercial entre Brasil e Argentina, com o objetivo de promover a harmonização de regulamentos e o alinhamento com padrões internacionais. Os benefícios da cooperação incluem o compartilhamento de dados para reduzir custos do governo e da indústria e diminuir os testes em animais e a duplicidade de requisitos.
O protocolo contribuirá, ainda, para o cumprimento dos acordos internacionais dos quais ambos os países são signatários. Entre eles, estão a Convenção de Minamata sobre controle de mercúrio, a Convenção de Estocolmo sobre poluentes orgânicos persistentes e a Convenção de Basileia sobre movimento transfronteirço de resíduos perigosos. 

SOLUÇÕES
Além do anúncio da cooperação, o ministro Edson Duarte participou do diálogo ministerial Soluções inovadoras para desintoxicar nosso meio ambiente, um dos painéis do segmento de alto nível do Fórum. No encontro, o ministro destacou os avanços brasileiros em áreas como segurança química, proteção da camada de ozônio e implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Edson Duarte participou de reunião com o ministro do Meio Ambiente da Estônia, Siim Kiisler, presidente da quarta reunião da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA). No encontro, debateram expectativas para o evento, que ocorrerá em março de 2019, em Nairóbi, Quênia. Edson Duarte também teve reuniões bilaterais com a ministra do Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt Zaldívar, e com Joyce Msuya, diretora-adjunta da ONU Meio Ambiente, parceira na realização do Fórum.
Por: Lucas Tolentino/ Ascom MMA

Fonte publicação;

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Acordos e cooperações entre nações para o meio ambiente são de extrema importância, visto que o meio ambiente não respeita as "fronteiras" estipulada pelo homem, este por si só contempla um todo que denominamos por BIOSFERA e deve ser respeitado cuidado por todos com um certo grau de cuidado que deve ser entendido por todos os lideres de nações. Não posso fazer menos pelo Meio-Ambiente de que meu vizinho, pois as minhas ações implicam em impacto ao próximo.
Apenas pensem nisso.

Comentário realizado por MSc. Eduardo Caires, Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, no setor ambiental me consolidei nos seguintes tópicos: monitoramento ambiental, avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano, tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial), gestão de resíduos sólidos, gerenciamento de áreas contaminadas, recuperação de áreas degradadas, valoração de dano ambiental, ecologia aplicada, mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.




Informativo - Contratação de Laboratório de Análises de Águas

Elaboramos um documento informativo com alguns requisitos para se contratar um laboratório de análises de água, com foco no atendimento da Portaria de Consolidação nº05 de 2017 do Ministério da Saúde. Baixe gratuitamente pelo o link abaixo: https://mega.nz/#!sSQSxSSC!LS_q5Enf8G7PxpMGokAUSbHXVurYd8XWa0yrdT4eFQw


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Monitoramento Ambiental - Água Subterrânea

Segundo as orientações da CETESB (Companhia Ambiental de Meio Ambiente do Estado de São Paulo), o monitoramento ambiental deve ser realizado semestralmente, coincidentes com os períodos de maior (março e abril) e menor (setembro e outubro) pluviosidade.
Este monitoramento é exigido em alguns casos, sendo eles:
- Após a etapa de investigação confirmatória, quando não existirem plumas de contaminação, inicia-se o processo de monitoramento para encerramento do caso junto ao órgão ambiental;
- Posteriormente a etapa de investigação detalhada e plano de intervenção, caso não seja necessário medidas de mitigação, inicia-se o processo de monitoramento ambiental semestralmente.
- Durante o processo de remediação ambiental, deve ser realizado os monitoramentos semestrais para acompanhar a evolução das concentrações dos contaminantes, até que seja atingido as metas propostas pelo sistema de remediação.
- Após a etapa de remediação, inicia-se o processo de monitoramento ambiental, para encerramento do processo.
Não perca os seus prazos junto ao órgão ambiental!

Qualquer dúvida fico à disposição.

Atenciosamente 

MSc. Eduardo Caires, Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, no setor ambiental me consolidei nos seguintes tópicos: monitoramento ambiental, avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano, tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial), gestão de resíduos sólidos, gerenciamento de áreas contaminadas, recuperação de áreas degradadas, valoração de dano ambiental, ecologia aplicada, mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

Contato:
eduardocairess@hotmail.com


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Ecotoxicologia - Parte 3: Toxicidade Aguda


Continuando o tema Ecotox, irei falar hoje sobre os testes de ecotoxidade aguda.

Mas para quem ainda não leu os textos da série, segue abaixo os links.
Parte 1:
Parte 2:

Bom, agora vamos ao que interessa!
O que são testes de ecotoxidade aguda, ou mais conhecida como toxicidade aguda?

São teste laboratoriais, realizados sob condições controladas, onde é caracterizado o potencial tóxico de uma solução, substancia ou efluente em tóxico ou não tóxico, quando em curto período de tempo (24, 48 horas ou outro período de tempo que depende do método e organismo utilizado) que causa mortalidade a 50% da população dos organismos expostos.

Fonte: Caires, 2015.

Também é possível calcular a dose ou concentração letal média (DL50 / CL50) que no período estipulado do teste, causa mortalidade a 50% da população, sendo este tipo de teste, utilizado nos dossiês de validação de agrotóxicos, por exemplo, para cadastro e autorização de uso junto ao IBAMA e a ANVISA.

No vídeo abaixo você pode verificar um pouco sobre como são realizados os cálculos de CL50.

A importância deste estudo é que uma forma barata e teoricamente rápida é possível simular em laboratório o efeito tóxico que substâncias podem causar em ecossistemas aquáticos. Porém sua aplicação não se restringe apenas a este nicho.

Atenciosamente

MSc. Eduardo Caires
Biólogo – Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos.

domingo, 9 de setembro de 2018

Ecotoxicologia - Parte 1

A ecotoxicologia é uma ciência que trabalha em conjunto, conceitos da ecologia e da toxicologia, avaliando os efeitos nocivos que substâncias podem causar a organismos vivos, por meio de bioensaios realizados sob condições controladas em laboratório ou in situ, a medição deste efeito é chamada de ecotoxicidade.

O termo ecotoxicologia foi criado por René Truhaut no ano de 1969, que o definiu como: o ramo da toxicologia preocupado com o estudo de efeitos tóxicos causados por poluentes naturais ou sintéticos, sobre quaisquer constituintes dos ecossistemas: animais (incluindo seres humanos), vegetais ou microorganismos, em um contexto integral.




A publicação do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson em 1962 foi um marco para a separação da ecotoxicologia da toxicologia clássica. O elemento revolucionário introduzido por Rachel foi a extrapolação dos efeitos sobre um único organismo para o ecossistema. Este estudo sistêmico é diferente da natureza antropocêntrica da toxicologia clássica, e, portanto, torna a ecotoxicologia é uma ciência mais ampla, pois incorpora aspectos de ecologia, toxicologia, fisiologia, biologia molecular, química analítica entre outras para estudar os efeitos de xenobióticos em um ecossistema. A finalidade desta abordagem é ser capaz de predizer os efeitos dos poluentes, de tal forma que se um incidente ocorrer, será possível definir para remediar os efeitos deletérios causados. Em ecossistemas que já estão impactados pela poluição, estudos ecotoxicológicos trazem informações da toxicidade deste ambiente e subsidiam o planejamento de ações para a mitigação.


Os testes consistem basicamente na exposição de organismos (o qual são validados como bioindicadores em uma determinada matriz), onde, em um microhabitat controlado os efeitos tóxicos são verificados em nível ecológico de população geralmente, na literatura mais atual já é possível encontrar estudos onde são utilizadas duas espécies ou mais, elevando assim o nível ecológico para comunidade. Estes efeitos podem ser realizados de acordo com três classificações: agudo, crônico ou crônico de curta duração.



Nos próximos artigos irei falar sobre a parte prática da ecotoxicologia, como a realização dos testes e os resultados que são obtidos de acordo com efeito avaliado, bem como seu embasamento na legislação brasileira.

Atenciosamente 

MSc. Eduardo Caires

Sou Biólogo, Mestre em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente, especialista em recursos hídricos e avaliação de risco ambiental. Atuo com Consultoria Ambiental e Perito Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No setor de Meio Ambiente me consolidei nos seguintes tópicos: análises ambientais; avaliação da qualidade de cursos d'água, água para consumo humano; tratamento de efluentes (esgoto sanitário e industrial); gestão de resíduos sólidos; gerenciamento de áreas contaminadas; recuperação de áreas degradadas; valoração de dano ambiental; ecologia aplicada; mitigação de impactos ambientais e licenciamento ambiental.

sábado, 11 de agosto de 2018

Macroinvertebrados bentônicos como indicadores ambientais

Os macroinvertebrados aquáticos compreendem indivíduos de diversos grupos como, platelmintos, anelídeos, moluscos, crustáceos e principalmente insetos. Esses organismos podem ser visto a olho nu e capturados em uma malha que varia de tamanho podendo chegar a aproximadamente até 500µm (MARGALEF, 1983; ESTEVES, 1998). Esses organismos são encontrados em diversas partes dos ecossistemas aquáticos de água doce, habitando sedimento, coluna d’ água, as raízes de plantas aquáticas, pedras, galhos e folhas, durante todo seu ciclo de vida ou parte dele (APHA, 1989; ESTEVES, 1998).

A comunidade de macroinvertebrados interage em diversos processos com o ambiente aquático, possuindo características relevantes, que segundo Rosenberg, Resh, (1993) e Bicudo & Bicudo (2004), apontam algumas vantagens no uso desses organismos em relação à avaliação da qualidade da água:

(a)Habitam praticamente todos os ecossistemas aquáticos;

(b)Capacidade de locomoção limitada, fazendo com que sua existência ou ausência esteja relacionada com as condições do habitat;

(c) Apresentam facilidade no uso de manipulações experimentais e resultados mais precisos;

(d) Exibem ampla variedade de tolerância a vários graus de impacto;

(e) Presentes antes e após eventos antrópicos no ambiente de estudo.

Além disso, os insetos aquáticos atuam como fragmentadores e decompositores da matéria orgânica, sendo importantes elementos de cadeias e redes alimentares (ESTEVES, 1988). Esses organismos podem ser classificados em espécies generalistas ou especialistas em virtude do local em que vivem e as adaptações morfológicas, fisiológicas e comportamentais que apresentam, em relação à sua distribuição no ambiente analisado (NESSIMIAN & CARVALHO, 1998).

De acordo com Goulart & Callisto (2003) e Moretti & Moreno (2006), existe uma grande diversidade de macroinvertebrados que exibem diferentes níveis de tolerância em relação ao tipo de ambiente. Organismos sensíveis estão adaptados a viver em águas limpas com uma grande quantidade de oxigênio, estando frequentemente associados a substratos rochosos, ou à vegetação submersa. Os tolerantes são predadores e vivem preferencialmente nas margens dos rios, também em toda coluna d’ água e conseguem sobreviver à concentrações baixas de oxigênio dissolvido. Já os resistentes vivem em diversos tipos de corpos d’água principalmente em águas poluídas, com pouca quantidade de oxigênio ou até mesmo ausência de oxigênio dissolvido na água (GOULART & CALLISTO, 2003).

Além dos insetos aquáticos apresentarem diferentes níveis de tolerância em relação ao ambiente, em seu último estágio de desenvolvimento, tendem a apresentar maior especificidade nutricional, permitindo a classificação desses insetos aquáticos em cinco grupos tróficos funcionais:

-Fragmentadores: alimentam-se de tecido vegetal, podendo ser herbívoro ou detritívoro;

-Coletores: alimentam-se de matéria orgânica particulada fina, podendo ser detritívoros ou filtradores;

-Raspadores: alimentam-se de perifíton aderidos à superfície orgânica ou mineral;

-Predadores: alimentam-se de outros invertebrados aquáticos ou de pequenos vertebrados como peixes e anfíbios;

-Parasitos: alimentam-se internamente ou externamente do corpo de outro organismo.

Algumas famílias de macroinvertebrados apresentam diferentes grupos tróficos, como é o caso de larvas da família Chironomidae (Diptera) podendo ser coletores, raspadores, fragmentadores e predadores (TRIVINHO-STRIXINO & STRIXINO, 1995; ROQUE et al., 2003).

Tratando-se de organismos aquáticos, a comunidade de macroinvertebrados vem sendo cada vez mais estudada, contribuindo para aumentar o conhecimento ecológico sobre a dinâmica e funcionamento dos ecossistemas aquáticos (ROQUE et al., 2003).

Diante do exposto, a utilização deste método de baixo custo pode e deve ser empregado em perícias ou em complementos de planos de monitoramento ambiental, pois somente análises físico-químicas nos fornecem dados de uma situação pontual, já a utilização de bioindicadores pode nos fornecer dados referente a um período maior de tempo e que em alguns casos podem corroborar ou conflitar os resultados obtidos em testes laboratoriais convencionais.




segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mídia Biológica

Fala galera tudo bem?

Bom, neste segunda feira "braba" o tema que irei abordar será mídias biológicas, primeiramente devemos compreender o que é uma mídia. 
Mídia biológica é o componente, que em um filtro, considero ser o coração, sem este elemento fundamental, não ha como ocorrer a fixação e formação do biofilme de bactérias decompositoras de matéria, em especial as bactérias nitrificantes (mais comuns do gênero Nitrobacter), no qual transformam a amônia (NH4+), em nitrito (NO2) e depois nitrato (NO3), que não é prejudicial aos peixes, e para as plantas é nutriente essencial em seu crescimento. (figura abaixo reação de nitrificação).





Atualmente costumamos usar mídias biológicas feitas de cerâmica, material o qual moldados e preparados, conferem porosidade a mídia. São os poros presentes na cerâmica que fornecem as bactérias nitrificantes, superfície ideal para a sua fixação e colonização, formando assim o biofilme (aglomerado de microrganismos) que realiza a filtração biológica, ajudando assim a manter o equilíbrio correto dos nutrientes no seu aquário.
Por tanto, a porosidade é uma característica que deve ser levado em conta na hora da aquisição de sua mídia biológica, pois se você comprar uma mídia de baixa qualidade, sem uma porosidade ideal, seu filtro biológico não valera de muito, então, quando estiver montando seu aquário, deixe para economizar em outros itens mais dispensáveis e não seja "pão duro" na montagem do filtro, pois nem sempre (sempre) as mídias de qualidade não são de baixo custo.

segue abaixo um vídeo de um teste realizado pelo grupo maringaense de aquarismo em alguns exemplos de mídias biológicas disponíveis no mercado,
veja e tire suas próprias conclusões. Seus peixes e eu agradecemos uma escolha bem feita.


sábado, 26 de julho de 2014

Imagens Betta splendens

Fala galera, bom sábado a todos!

estava rodando pela net hoje e lógico pesquisando um pouco mais sobre peixes, quando encontrei o site ideia fixa, lá encontrei umas imagens muito bonitas do famoso e querido Bettinha (Betta splendens), peixe que quem não tem um dia ira ter ou já tivera uma vez em sua vida de aquarista, segue abaixo algumas imagens e no final do post irei deixar o link para quem quiser ver o resto das imagens.





sexta-feira, 25 de julho de 2014

Filtração, precisa ou não?

Filtração
Fala galera, hoje vamos falar sobre filtração, algumas vezes escuto pessoas quando
querem iniciar no aquarismo dizerem:
- “Moço eu quero um peixe que não precisa daquela bombinha”.
Se levarmos tudo ao pé da letra todos os peixes necessitam de uma filtração, pois o 
papel principal da filtragem do aquário é a eliminação de sólidos grosseiros (popular sujeira) 
e matéria orgânica (excreta dos peixes, restos de comida, etc.), e secundário com a movimentação da água causa a oxigenação da mesma sendo que o oxigênio 
atmosférico entra para água através de um processo chamado de Difusão.
Pois bem sendo assim como então os Anabatíndeos em geral, como betta’s, colisas,
tricogaster, paraíso, entre outros sobrevivem em aquários minúsculos sem a filtragem? 
Então, este grupo de peixes possui um órgão chamado de labirinto, parecido com o 
labirinto humano, porem possui apenas dois canais semi – circulares que são estruturas 
que ajudam na orientação espacial do peixe e também servem para armazenar o 
oxigênio retirado da atmosfera, porem isso não exclui a necessidade de uma água l
ivre de compostos tóxicos como amônia (NH4) e nitrito (NO2).
Voltando a filtração, nos filtros o processo acontecem em duas etapas:
1) Filtração mecânica: a filtração mecânica é o ato da limpeza da “sujeira” mesmo, 
vemos como exemplo, os refis dos filtros do tipo Hang On, costumam ter manta acrílica (perlon) com um pouco de carvão ativo que ajuda na remoção de alguns compostos químicos.
2) Filtração biológica: a filtração biológica é o processo no qual bactérias nitrificantes 
reduzem a amônia para o nitrato (NO3) que para plantas é macro nutriente e para os 
peixes só é toxico em altas concentrações, e devido a movimentação da água o 
nitrato de desprende da água para a atmosfera pelo mesmo processo em que o 
oxigênio entra para água.
Um fato que devemos nos atentar para a filtração biológica é o uso essencial de cerâmica 
ou argila expandida (muito usada em lagos, devido ao seu custo – beneficio), a porosidade 
desses elementos é o reflete em sua qualidade, pois os poros geram um local ideal para a
fixação e formação do biofilme das bactérias nitrificantes, eliminando assim a matéria 
orgânica presente no aquário e dando o aspecto cristalino desejado por 99% dos 
aquaristas do mundo, a cerâmica que uso e recomendo a da SERA o famoso Siporax, 
atualmente no mercado atual para min é a que melhor dá resultados e proporciona uma tranquilidade na eficiência da filtração.